sexta-feira, 25 de junho de 2010

Musics that talk about me better than myself



Angel
- Sarah McLahclan

Spend all your time waiting
For that second chance
For a break that would make it okay
There's always some reason
To feel not good enough
And it's hard at the end of the day
I need some distraction
Oh beautiful release
Memories seep from my veins
Let me be empty
Oh and weightless and maybe
I'll find some peace tonight

In the arms of the angel
Fly away from here
From this dark cold hotel room
And the endlessness that you feel
You are pulled from the wreckage
Of your silent reverie
You're in the arms of the angel
Maybe you find some comfort here

So tired of the straight line
And everywhere you turn
There's vultures and thieves at your back
And the storm keeps on twisting
You keep on building the lies
That you make up for all that you lack
It don't make no difference
Escaping one last time
It's easier to believe in this sweet madness oh
This glorious sadness that brings me to my knees

In the arms of the angel
Fly away from here
From this dark cold hotel room
And the endlessness that you feel
You are pulled from the wreckage
Of your silent reverie
You're in the arms of the angel
Maybe you find some comfort here
You're in the arms of the angel
Maybe you find some comfort here

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Está em mim

Talvez quando acordarmos seja tarde, mas talvez seja uma nova oportunidade de refazer aquilo que já estava certo.
Um olhar em silêncio no vazio de todo o tempo perdido desperta um sentimento antes inexistente, desconhecido, porém agora tão intenso que quer gritar dentro de mim.

Peço licença para calá-lo.

domingo, 20 de junho de 2010

Mal do tempo


Há uns três anos, li um texto de Chaplin no perfil de uma amiga que dizia:

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida feliz está em percorrê-lo todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra a faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando...E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"

Mais do que nunca vejo algo de genial neste texto. Algumas vezes, envelhecer pode ser muito cruel. Como depois de uma vida inteira de luta com a família, de muito trabalho e responsabilidades, alguém que sempre havia sido sinônimo de segurança para as pessoas ao seu redor, alguém que sempre foi capaz de ajudar a qualquer um em qualquer situação pode simplesmente esquecer-se de como fazer as coisas mais simples, errar ou não se lembrar constantemente do nome dos próprios filhos, sentir-se deslocalizada dentro de sua própria casa? Isso pra não falar em coisas ainda mais estarrecedoras.
Como entender que possa ser necessário fazê-la reaprender a andar apoiando-se em braços de pessoas que um dia aprenderam a se equilibrar com ela? A inversão de papéis é tão evidentemente necessária, que dói. Ensinar a quem te ensinou: pode parecer um dever de gratidão absolutamente normal, mas isso só em teoria. Na verdade torna-se uma dor tão estranhamente latente, que é melhor ignorá-la e tentar 'se divertir' com a situação.
Acima de tudo, como aceitar tudo isso?
E como aceitar que, em meio a tantos avanços tecnológicos e médico-sanitários, tantas descobertas a todo tempo, não haja nenhuma terapia sequer capaz de conter ou diminuir o ritmo do avanço de tamanha crueldade? O cérebro é mesmo algo instigante, há um mistério ali gritando para ser desvendado sem haver quem tire conclusões certeiras. Pra mim, absolutamente obcecada por estudos científicos, pesquisas, soluções, medicamentos, cura, toda essa mágica que envolve a saúde, é inadmissível e ainda mais doloroso ver tal situação agravando-se sem que ninguém possa intervir de nenhuma maneira.
;/

Sim, acho que essa é a primeira vez desde a reinauguração do Blog que eu posto algo absolutamente pessoal sem ser metaforizado ou indiretamente dito.

domingo, 13 de junho de 2010

Descompasso

OIhou para o relógio. Ainda eram 3 da tarde e a ansiedade para a noite era grande demais. Quando já parecia haver passado uma eternidade, resolveu olhar novamente a hora: 3 horas e 8 minutos. "Meu Deus, esse ponteiro só pode estar estragado!" - disse enfurecido, verificando posteriormente que o outro relógio da casa marcava exatamente o mesmo horário. Ligou a televisão, nada o distraía. Folheou páginas e páginas do livro que havia começado a ler 3 meses antes. Folheou apenas, porque aquelas letras não diziam nada para ele, com a cabeça tão dispersa no momento. Aliás, dispersa não: concentrada no acontecimento que esperava.
O telefone tocou, "não, mamãe, não poderei jantar com a senhora hoje.. Tenho um compromisso às 9 da noite. Desculpa seu filho.. tá, tá, aham, também te amo mãe." Pensou então em sair para dar uma volta, quem sabe assim o tempo não passaria mais rápido. Caminhou pela rua, mas logo voltou à casa pensando: "agora sim, deve estar quase na hora!". 4 horas, 05 minutos. "NÃO É POSSÍVEL!"
Fazia frio. Sentou-se em sua cama e começou a observar um inseto que passeava pelo chão de seu quarto. O bichinho rodopiava sobre as patas e não conseguia sair do lugar. Achou graça. Logo o sono foi tomando o lugar da agonia, seus olhos foram ficando pesados, pesados... Não dormia há dias só pensando no que iria acontecer - nada podia dar errado!

Quando acordou estava escuro. Olhou para fora da janela, tantas estrelas só podiam dizer uma coisa: já era tarde! Não sabia onde havia deixado seu relógio, procurou-o apressado. 1 e meia da madrugada! "@$%@£#*!! que $%*#@&@ de tempo, porque passa assim tão rápido?!"

domingo, 6 de junho de 2010

Insetos interiores

(...)Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

(...)
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

Fernando Anitelli.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sóbrio

Quero voltar, mas não sei de onde vem o caminho!
aqueles toscos rastros que deixei já apagaram-se pela força do tempo..
Outrora sentia-me guiada pela menor brisa que tocasse meus cabelos, hoje um gélido vento não é capaz de mover nem mesmo um fio deles.

Cá estou eu, e espero.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ELA, de novo.

"O Paradoxo do Entendimento

Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana."

Clarice Lispector
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