Sinto como se estivesse flutuando sobre um mar imundo e, de repente, caísse, sendo obrigada a mergulhar em meio à toda aquela poluição. Não tenho fôlego. Não tenho forças. E não posso dizer nada, apenas sentir. Não posso falar, mas meu coração pede socorro.
Cada vez mais.
Afogada.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
MY paranoid eyes
"And if they try to break down your disguise with their questions
You can hide, hide, hide, behind paranoid eyes"
domingo, 23 de janeiro de 2011
Anestesia
Na hora em que despediu-se de mim, entendi que nunca mais tornaria a vê-la. A última imagem que ficou em minha cabeça foi a de seu sorriso afastando-se de mim, enquanto eu a olhava como quem olha para um balão perdendo-se no imenso céu. E eu, parado ali, vendo-me diante de meu destino, o cruel rumo da minha vida antes tão ingenuamente calculada.
Parecia já ter visto aquela cena antes, um deja-vu, diriam; mas não, parecia muito mais real que isso. Talvez eu já realmente tenha vivido algo parecido e meu subconsciente tenha simplesmente apagado minhas memórias nítidas do fato - anestesia.
É só isso o que nos alivia: não pensar sobre os acontecimentos, não falar sobre os acontecimentos, não recordar os acontecimentos. Deixá-los tranquilamente repousando enquanto não é necessário acordá-los. anestesia.
Se ela olhasse pra trás, se ao menos tivesse coragem de olhar para mim, tenho certeza que veria os seus olhos inundados de água. Mas não, não podia deixar que eu visse seu sofrimento, ela sempre fora forte demais para demonstrar fraqueza a uma hora destas.
E, exatamente da forma que temíamos, aconteceu: o sol se pôs e eu não mais a vi naquele dia. Nem no outro. Nem uma semana, um mês, um ano depois. Se voltará, não sei dizer. Não sei na verdade se ainda espero.
Meu coração tem apenas uma cicatriz. anestesia.
Parecia já ter visto aquela cena antes, um deja-vu, diriam; mas não, parecia muito mais real que isso. Talvez eu já realmente tenha vivido algo parecido e meu subconsciente tenha simplesmente apagado minhas memórias nítidas do fato - anestesia.
É só isso o que nos alivia: não pensar sobre os acontecimentos, não falar sobre os acontecimentos, não recordar os acontecimentos. Deixá-los tranquilamente repousando enquanto não é necessário acordá-los. anestesia.
Se ela olhasse pra trás, se ao menos tivesse coragem de olhar para mim, tenho certeza que veria os seus olhos inundados de água. Mas não, não podia deixar que eu visse seu sofrimento, ela sempre fora forte demais para demonstrar fraqueza a uma hora destas.
E, exatamente da forma que temíamos, aconteceu: o sol se pôs e eu não mais a vi naquele dia. Nem no outro. Nem uma semana, um mês, um ano depois. Se voltará, não sei dizer. Não sei na verdade se ainda espero.
Meu coração tem apenas uma cicatriz. anestesia.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Introspecção e reflexo
Puro alívio, estava em casa. Precisava ainda tomar um banho, tirar aquele dia cansativo e desgastante de seu corpo.
A dor pulsava em suas veias, gritava dentro dela.
A dor pulsava em suas veias, gritava dentro dela.
Fechou a porta de seu quarto.
Colocou as músicas de sua banda preferida.
Apagou as luzes.
Deitou-se em sua cama.
Era tudo o que precisava.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Delírios
Encolheu-se, assustada, temendo entrar em pânico. Cruzou os braços e deitou-se, procurando relaxar o corpo - aquilo já era tortura por tempo demais. "Porque deixaram-me aqui? O que querem de mim?", era tudo o que ela conseguia pensar naquele momento.
Queria gritar, mas não tinha forças. Queria chorar, mas aquela escuridão que dominava o espaço ao redor dela de alguma maneira impedia que suas lágrimas caíssem. "O que está acontecendo? Alguém me tire daqui!", resmungava. Tudo o que queria era que a pudessem ouvir. Quanto tempo já havia passado desde a última vez em que vira alguém, ela já não tinha a menor idéia. Minutos, horas ou dias? Pareciam eternidade.
Naquele momento ela já não ouvia mais nenhum ruído. Queria poder ouvir aqueles passarinhos do jardim ao lado que tanto a incomodavam em dias comuns. Há quanto tempo ela não repousava sob tanto silêncio? Começou a ver graça naquilo tudo. Ela, que sempre fora tão inquieta e ansiosa estava agora ali, sozinha e sem ao menos entender o que se passava.
Fechou os olhos e simplesmente adormeceu.
Em algum momento, já não sabia se sonhava ou estava desperta. Tinha os olhos abertos e ouvia alguém se aproximando... toc, toc, parecia ouvir um salto batendo no piso, toc, toc, toc, cada vez mais próximo.
"Ainda falta verdade em tua alma, filha. Falta sinceridade neste teu belo olhar. Fica aí!"
E ela apenas ouviu a porta se fechando.
Queria gritar, mas não tinha forças. Queria chorar, mas aquela escuridão que dominava o espaço ao redor dela de alguma maneira impedia que suas lágrimas caíssem. "O que está acontecendo? Alguém me tire daqui!", resmungava. Tudo o que queria era que a pudessem ouvir. Quanto tempo já havia passado desde a última vez em que vira alguém, ela já não tinha a menor idéia. Minutos, horas ou dias? Pareciam eternidade.
Naquele momento ela já não ouvia mais nenhum ruído. Queria poder ouvir aqueles passarinhos do jardim ao lado que tanto a incomodavam em dias comuns. Há quanto tempo ela não repousava sob tanto silêncio? Começou a ver graça naquilo tudo. Ela, que sempre fora tão inquieta e ansiosa estava agora ali, sozinha e sem ao menos entender o que se passava.
Fechou os olhos e simplesmente adormeceu.
Em algum momento, já não sabia se sonhava ou estava desperta. Tinha os olhos abertos e ouvia alguém se aproximando... toc, toc, parecia ouvir um salto batendo no piso, toc, toc, toc, cada vez mais próximo.
"Ainda falta verdade em tua alma, filha. Falta sinceridade neste teu belo olhar. Fica aí!"
E ela apenas ouviu a porta se fechando.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
"For no one"
Agora já não sinto nada, apenas uma sensação de que tudo podia ter sido diferente.
E se eles não estivessem no comando desde o início? E se a ignorância não tivesse perdurado por tanto tempo? A ignorância, esse vício terrível, é que destruiu todas as nossas esperanças agora. E se não houvéssemos sido todos omissos à negligência? De alguma forma algo podia ter sido feito, não importa como.
Impossível não sentir tuas dores, não queimar por dentro a cada vez que te vejo desta forma. Porque, minha querida e frágil amada? Se há algo que possamos fazer, peço que nos diga. Se ainda podemos evitar algum sofrimento, quero saber como. Preciso disso para livrar-me deste fardo terrível que é esta raiva por tudo o que fizeram contigo.
Não posso carregar isso comigo.
Diga-me tudo o que estás sentindo e eu farei o máximo para aliviar-te. Faria qualquer coisa pra ouvir-te me dizendo o que sinto que precisas dizer. Queria que ao menos meu coração pudesse entender-te.
O que mais dói em mim é saber que sequer tenho forças para sentir raiva por muito tempo, minha querida. Só pergunto-me como puderam... Dói-me a alma, dói-me o corpo físico pensar sobre tudo isso.
Amo-te, e quero fazer-te sentir meu amor, ainda que tardio.
Esteja bem.
"Your day breaks, your mind aches,
E se eles não estivessem no comando desde o início? E se a ignorância não tivesse perdurado por tanto tempo? A ignorância, esse vício terrível, é que destruiu todas as nossas esperanças agora. E se não houvéssemos sido todos omissos à negligência? De alguma forma algo podia ter sido feito, não importa como.
Impossível não sentir tuas dores, não queimar por dentro a cada vez que te vejo desta forma. Porque, minha querida e frágil amada? Se há algo que possamos fazer, peço que nos diga. Se ainda podemos evitar algum sofrimento, quero saber como. Preciso disso para livrar-me deste fardo terrível que é esta raiva por tudo o que fizeram contigo.
Não posso carregar isso comigo.
Diga-me tudo o que estás sentindo e eu farei o máximo para aliviar-te. Faria qualquer coisa pra ouvir-te me dizendo o que sinto que precisas dizer. Queria que ao menos meu coração pudesse entender-te.
O que mais dói em mim é saber que sequer tenho forças para sentir raiva por muito tempo, minha querida. Só pergunto-me como puderam... Dói-me a alma, dói-me o corpo físico pensar sobre tudo isso.
Amo-te, e quero fazer-te sentir meu amor, ainda que tardio.
Esteja bem.
"Your day breaks, your mind aches,
You find that all her words of kindness linger on,
When she no longer needs you.
(...)
When she no longer needs you.
(...)
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one"
Agora eu vejo você
Aquele olhar que, incostante, permanecia fixamente na minha direção, me dava às vezes a impressão de desconhecer-me. Parecia procurar em mim algum traço familiar, algo que pudesse identificar-me e a fizesse se sentir segura. Então, logo pede que eu me sente ao seu lado, e aí eu é que não sei mais se reconheço aquele sorriso irreal, tão marcado pelo tempo. É minha, mas até pouco tempo meu coração não a sabia como tal. E, depois de tanto tempo, pude vê-la realmente, não apenas olhá-la. Ver um sofrimento que, talvez, tenha sido apagado em suas feições, e que agora está ainda mais oculto em meio a tamanha desordem. É minha, mas só se descobre tais coisas quando já não é mais tão cedo.
[postado originalmente em 12/04/2010]
[postado originalmente em 12/04/2010]
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